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Israel abre as portas para Minas

Israel abre as portas para Minas revelando ao empresariado mineiro planos de cooperação mútua e intercâmbio na área da tecnologia.


Ana Carolina Bicalho

Minas Gerais tem tudo para entrar definitivamente na rota dos negócios de Israel. A aproximação entre os dois estados foi novamente reforçada pelo embaixador israelense no Brasil, Reda Mansour, durante sua última visita a Belo Horizonte, para participar do evento Inforuso.

Mansour destacou como ponto forte as vocações mútuas dos dois estados para a agricultura, a tecnologia, a indústria e os sistemas de água. E confirmou, mais uma vez, o desejo de promover uma visita do empresariado mineiro a Israel. “Esperamos que nossa cooperação avance ainda mais e que possamos conseguir uma visita oficial do governador de Minas a Israel, com um grupo de empresários de diferentes companhias das áreas de tecnologia e ciência, para podermos demonstrar nossa cultura”, disse.

Assim como Minas Gerais, Israel nasceu tendo como base econômica a exportação de produtos agrícolas. Entretanto, depois de quase 70 anos, o país mudou totalmente sua linha de comércio, tornando a tecnologia seu principal produto de exportação.

Numa apresentação do cenário tecnológico de Israel, o diretor de telecomunicações do Escritório do Cientista-Chefe do país, Effi Bergida, destacou algumas informações, como o fato de o país ser o número um do mundo em publicações científicas, registro de patentes e quantidade de empresas cotadas na Nasdaq. “Segundo o Relatório de Competências Globais, somos o país mais inovador. Nossas exportações somam US$ 45 bilhões, sendo R$ 20 bilhões somente na área de tecnologia.”

O Escritório do Cientista-Chefe de Israel está ligado ao Ministério da Economia e é responsável por gerir as políticas públicas do país na área. Bergida explicou que, ao contrário da maioria dos países, o órgão não é impactado por mudanças de governo: “Nossa política de desenvolvimento é neutra”. Dessa forma, independentemente do resultado das eleições, não há riscos de cortes de financiamentos e projetos.

O diretor de telecomunicações ressaltou o incentivo de Israel às empresas nascentes. O governo estimula os jovens a abrirem novos negócios e conta com programas de investimento para oferecer empréstimos a taxas de juros mais baixas. Para quem faz negócios no país, essa é uma garantia de mais segurança. “Acreditamos que a indústria é que sabe o que é melhor para a economia, e não o governo”, enfatizou.

Bergida também revelou que o poder público arca apenas com uma parte da inciativa, para que os empreendedores valorizem seus projetos. Isso porque um sonho comum entre os novos empreendedores israelenses – o de vender suas empresas nascentes – tem sido alvo de ponderações: “Estamos vendo se é isso mesmo que achamos estratégico”. Segundo o diretor, há uma reflexão sendo feita atualmente pelo governo israelense sobre essa cultura arraigada nas empresas nascentes. A discussão é se realmente vale a pena continuar investindo em organizações que serão vendidas logo depois.

Bergida ainda destacou as estratégias de investimento do governo de Israel, que analisa se as iniciativas têm relevância, grandes possibilidades de se estabelecerem em Israel, alto nível de inovação e elevada capacidade de exportação. “Todos os nossos produtos devem ser exportados, pois nossa população é pequena. Por isso, temos que fazer cooperações com outros países. Poderíamos criar um fundo entre Israel e Brasil, por que não?”, argumentou.

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