CIO e CMO: sem espaço para feudos

Ivan Moura foi premiado como Personalidade do Ano no evento Inforuso 2014 e traz considerações importantes sobre a relação CIOs e CMOs em uma entrevista rápida.


REVISTA INFORUSO: Cada vez mais o profissional de marketing precisa conhecer o habitat da tecnologia. Na prática, como esses profissionais podem tornar seus trabalhos complementares?

Ivan Campos: Essa parte já está fascinante e ficará ainda melhor, por três motivos principais. O primeiro e pioneiro motivo é a proliferação de telas nas quais se pode exibir publicidade, indo de smartphones e desktops até TVs interativas, por exemplo. O segundo, também em curso, é a abundância (e põe abundância nisso) de dados gerados interna e externamente às empresas, contendo informações relevantes para o planejamento e a tomada de decisão. O terceiro, ainda em gestação, é a Internet das Coisas (IoT, Internet of Things), que nada mais é do que a verificável tendência de todos os equipamentos de uso pessoal e profissional se conectarem e, mais do que isso, trocarem informações autonomamente. Para os profissionais de marketing, o domínio de ferramentas e técnicas de seu ofício será ainda mais importante. Para os profissionais de TI nas grandes companhias, o desafio será cultivar a sensibilidade para as necessidades e para a cultura da outra equipe. Não há espaço para feudos.

RI: Que tipo de profissional está apto para esta realidade?

IC: Hoje, a realidade do mercado ainda não dá mostras de que haja muitos profissionais com o perfil unificado do CIO e do CMO. Evidentemente, pode haver pontos fora da curva e pode-se encontrar CMOs que tenham sólida formação e experiência com todo o leque de tecnologias necessárias, mas, novamente, isso seria uma exceção. Mesmo assim, dependendo da atividade predominante da empresa, sua estrutura de governança poderá colocar a maior parte da responsabilidade tecnológica sobre os ombros do CMO. Um exemplo é a indústria de bebidas, que é tão dependente do marketing contínuo, criativo e ágil. O desafio vai requerer o trabalho articulado de muitos perfis novos e complementares.

RI: Seria o nascimento de um novo profissional?

IC: O que está de fato ocorrendo é que o profissional de marketing precisa usar um número cada vez maior de plataformas tecnológicas. É a natureza do exercício da profissão que está se modificando, exigindo atualização e evolução constantes. Nesse sentido, não seria exagero afirmar que um novo profissional de marketing está nascendo, se considerarmos as novas exigências tecnológicas sobre seu perfil. Por outro lado — e novamente por causa da imensa diferença de atribuições e competências necessárias entre um CIO e um CMO —, não parece realista esperar o surgimento de um profissional capaz de suprir esses dois lados complementares. Pelo contrário, o que se verifica no mercado é uma especialização cada vez maior.

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