Computação onipresente

A computação cognitiva traz o futuro para o presente e integra cada vez mais a tecnologia nas ações e nos comportamentos naturais das pessoas.


Thalita Matta Machado e Felipe Barone 

Se esta matéria tivesse áudio, com certeza começaria com a trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Desde 1968, quando o computador Hal 9000, do clássico da ficção científica, apareceu nas telas do cinema tomando o controle da nave Discovery, a humanidade espera o dia em que os computadores sejam capazes de pensar como os seres humanos. Há décadas, existe o sonho de reproduzir a mente humana em circuitos eletrônicos, e a multinacional IBM está cada dia mais perto de torná-lo realidade. Em 2011, o sistema de computação cognitiva Watson venceu, por uma boa margem de pontos, os dois maiores concorrentes humanos do tradicional programa de televisão americano Jeopardy!. De lá para cá, não parou de evoluir.

Watson pode não ser tão conspiratório quanto Hal, tão tagarela quanto KITT, de A Supermáquina, ou tão sexy como Samantha, do filme Ela, para buscar uma referência mais recente. Mas ele tem uma característica que o coloca em um novo patamar na evolução tecnológica: Watson entende e aprende sem a necessidade de ser programado. No início, as máquinas mais avançadas eram capazes apenas de contar. Anos mais tarde, surgiram os sistemas programáveis, que utilizamos até hoje nos nossos dispositivos mais modernos.

Para interagir com a maioria desses sistemas, ainda é preciso estruturar a informação, para que os programas entendam e possam trabalhar com os dados. Mas essa lógica de raciocínio determinística está com os dias contados. “Assim como no mundo real, a computação cognitiva vai dar respostas baseadas em coeficiente de acerto, por probabilidade. E na medida em que o usuário a utiliza, o desempenho do sistema vai se aprimorando substancialmente. Em um futuro próximo, sequer lembraremos que um dia a tecnologia foi determinística”, explicou Fábio Gandour, cientista-chefe da divisão de pesquisa da IBM Brasil, em palestra no evento Inforuso.

A computação cognitiva tem potencial para mudar radicalmente nossas vidas. Esquecendo-se das previsões catastróficas e questões filosóficas do cinema, os sistemas cognitivos expandem a capacidade humana e podem ser a chave que solucionará problemas complexos, como a cura do câncer, por exemplo. O Watson Oncology usa essa tecnologia para auxiliar os médicos na recomendação de tratamentos para cada perfil da doença. Com um banco de dados que inclui milhares de pesquisas acadêmicas, relatórios de outros diagnósticos e históricos reais de pacientes, ele pode comparar cada sintoma de cada indivíduo, os sinais vitais, os medicamentos aplicados, a genética, entre outros parâmetros, e determinar os melhores tratamentos, além das chances de cura.

“O Watson vai dizer ao médico: ‘Se você usar o protocolo x, a probabilidade de dar certo é de 61%. Se não puder usar esse protocolo, você pode usar o y, mas a probabilidade de cura é só de 50%’”, afirmou Gandour em recente entrevista para a revista Época. A tarefa é praticamente impossível para qualquer médico humano, que não seria capaz de se lembrar e analisar um volume tão imenso de dados para cada caso. A IBM tem parceria com dois hospitais líderes no tratamento do câncer nos Estados Unidos, que já estão trabalhando com o Watson Oncology: o MD Anderson, em Houston, no Texas; e o Memorial Sloan-Kettering, em Nova York.

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