Em plena ebulição

Com mais de 220 startups reunidas e um ecossistema altamente desenvolvido, San Pedro Valley consolida uma nova cultura de trabalho em rede e um crescimento em conjunto.


Thalita Matta Machado 

Minas Gerais entrou no radar dos investidores de tecnologia em 2005, quando a Google comprou a Akwan, uma empresa que desenvolvia sistemas de busca, fundada por professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde então, o cenário tecnológico no estado não parou de evoluir. Hoje, só em Belo Horizonte há mais de 230 startups, grande parte delas localizada no bairro São Pedro. A aglomeração rendeu à região a alcunha de San Pedro Valley, uma referência ao Silicon Valley, ou Vale do Silício, na Califórnia, que abriga gigantes da tecnologia, como a Google, o Facebook e a Apple.

O que começou como uma piada feita em uma padaria do bairro rapidamente ganhou o mundo. O apelido San Pedro Valley começou a ser repetido nas redes sociais, na forma de hashtag, principalmente quando uma iniciativa ganhava um prêmio ou recebia investimentos. Com a divulgação de San Pedro Valley nos blogs internacionais de tecnologia, a marca ganhou a grande mídia, sendo citada até pela revista americana The Economist, em abril do ano passado.

“O nome foi somente uma forma de chancelar o movimento, que já estava acontecendo nos bastidores”, explica Pedro Filizzola, CMO da Samba Tech, empresa líder em soluções para vídeos on-line, com atuação na América Latina. Segundo ele, o diferencial da comunidade é se mover de forma espontânea e colaborativa. “Temos um grupo de WhatsApp muito ativo e um canal no Slack pelo qual todos conversam, tiram dúvidas e trocam experiências. Estamos sempre ajudando uns aos outros, por sermos todos muito próximos e entendermos que, em algum momento, seremos ajudados também. Isso fortalece a comunidade como um todo.”

O site oficial da comunidade tem cadastradas 228 startups, cinco aceleradoras, sete incubadoras, 24 escritórios de coworking, seis investidores e dois hackerspaces, os quais trabalham colaborativamente com os diversos players do cenário.

 

Cooperação orgânica

O conceito inerente ao San Pedro Valley é que ele não tem qualquer institucionalização. É uma comunidade de empreendedores que prezam pelo compartilhamento livre e desinteressado de informações para reduzir o tempo de aprendizagem, otimizar o tempo, organizar os recursos e acelerar o crescimento dos negócios.

Apesar de ainda não haver um estudo oficial sobre as novas empresas brasileiras, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) acredita que a taxa de falência delas supera a de pequenas empresas tradicionais. A associação se baseia em uma estatística global que aponta: nove de cada 10 startups que surgem no planeta não conseguem sobreviver. Nesse sentido, a força da comunidade ganha peso na gestão dos empreendimentos.

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