O platô do silício indiano

O platô do silício indiano: Bangalore é a cidade inteligente para o futuro capitalista de um país em plena revolução tecnológica. De todas as diferentes regiões da Índia, Bangalore recebe uma atenção especial por ser um dos ápices do contraste entre a riqueza e a pobreza.


O platô do silício indianoCecilia Kruel

De todas as diferentes regiões da Índia, Bangalore recebe uma atenção especial por ser um dos ápices do contraste entre a riqueza e a pobreza, tão destacado no país. Sede de grandes corporações nacionais e internacionais das áreas de tecnologia da informação, engenharia e ciência, a cidade detém 40% de toda a indústria do país, em seu território exclusivamente urbano. Foi criada no início da década de 70, porém o hub tecnológico só ganhou força em meados dos 90. Desde então, só um futuro interessa a Bangalore: ser um lugar totalmente digital.

Bangalore é geograficamente distante dos principais rivais históricos da Índia: a China e o Paquistão. Isso rendeu mais investimentos do governo central nas indústrias locais, fator que propiciou o que a própria população chamou de Revolução da TI na cidade, hoje conhecida como o Vale do Silício da Índia. A região também é um polo de empresas automobilísticas, que se instalaram ali ainda na década de 80.

Uma das maiores corporações nacionais de tecnologia, a Infosys, estabeleceu-se em Bangalore ainda como uma startup, em 1981, mesmo ano em que a IBM lançou o computador pessoal. Hoje, a empresa está presente em mais de 30 países e emprega mais de 170 mil pessoas. Em receita, é a segunda maior companhia de serviços em TI da Índia, com faturamento de US$ 8,7 bilhões em 2014 e crescimento anual de 12,4%. Seu valor de mercado é de US$ 42,5 bilhões. Os dados são da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), na qual a companhia abriu seu capital.

Outra gigante da tecnologia, a Wipro, também viu a cidade como um bom negócio e fundou sua sede local em 1983. Atualmente, a empresa tem mais de 158 mil empregados em 175 cidades ao redor do planeta, bem como está presente nos seis continentes. A receita da empresa no ano fiscal, que terminou em março de 2015, foi de US$ 7,5 bilhões. A empresa também abriu seu capital na bolsa NYSE em 2000.

O desenvolvimento dessas duas grandes empresas de tecnologia da informação, que optaram por se firmar, primeiro, em Bangalore, revela o potencial impulsionador da cidade, que só se desenvolveu depois da abertura da economia da Índia para o mundo, em meados da década de 90. Esse movimento permitiu a entrada da primeira corporação multinacional – aTexas Instruments Incorporation, especializada em eletrônicos. Foi esse o marco histórico que estimulou a região a se tornar um hub internacional, voltado para a criação e a terceirização de processos de negócios, conhecido posteriormente como Business Process Outsourcing (BPO).

Educação como ponto inicial

Entre as vantagens encontradas pelas empresas em Bangalore estavam as instituições educacionais, que ofereciam bons cursos de Engenharia da Computação para a qualificação de profissionais competitivos com o resto do planeta. Segundo o embaixador da Índia no Brasil, Sunil Lal, Bangalore é uma sede de grandes instituições educacionais, que impulsionam o conhecimento na região. “E elas, não necessariamente, são focadas em tecnologia”, afirma.

Campo fértil para pequenas empresas

Mais do que um hub de terceirização de serviços de tecnologia, Bangalore está se desenvolvendo como um centro de pesquisa e desenvolvimento global. Muitas companhias que querem se instalar na região têm como interesse agregar valor aos negócios e subir na escala econômica, a fim de se tornarem multinacionais. A região é alvo de interesse dos pequenos empreendedores e, como consequência imediata, as incubadoras de startups encontraram um lugar perfeito para crescer. Segundo a AngelList, agência de recrutamento para startups, mais de 1.700 dessas empresas ganharam um impulso inicial no Vale do Silício indiano.

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