Vitrine da ciência em ascensão

Com iniciativas públicas que estimulam a expansão tecnológica no país, a Argentina mostra seu alto potencial para o desenvolvimento


Emanoel Ferreira

Quando o cosmonauta Iuri Gagarin embarcou para a viagem de sua vida, certamente sentindo um compreensível frio na barriga, sabia não estar concretizando apenas uma ambição pessoal. A União Soviética, naquele momento, empreendia nada menos do que a primeira viagem espacial da humanidade. Hoje, superada a Guerra Fria, a tecnologia continua sendo combustível e termômetro do desenvolvimento das nações.

Num século 21 repleto de possibilidades e marcado pela difusão de polos tecnológicos na América Latina, a Argentina surge como expoente. O país expande anualmente seu mercado de tecnologia da informação e comunicação (TIC), com um crescimento que chega a 17%, segundo dados da Câmara de Software e Serviços Informáticos (Cessi). Mas que fatores podem ter levado nossos vizinhos a um resultado tão positivo?

A resposta para essa pergunta possivelmente passa pelos investimentos do governo argentino. O país mantém o Fundo de Garantia para a Promoção da Indústria do Software (Funsoft), viabilizando a integração entre os setores de produção de TIC da indústria. O Fundo também prevê acordos com setores produtivos para fomentar a incorporação de soluções em TI, além de incentivar várias iniciativas que contribuem para acelerar o crescimento tecnológico da Argentina.

A multinacional brasileira TOTVS, especializada em softwares de gestão integrada, está presente em mais de 39 países e oferece soluções a empresas dos mais diferentes segmentos e portes. Alvaro Cysneiros, diretor de operações de mercado internacional da companhia, confirma a importância estratégica da Argentina para os negócios da empresa. “Temos lá uma unidade própria, que dá suporte a um grupo de países do Sul da América, como Chile, Uruguai e Paraguai. Apesar das dificuldades que encontramos, nossa operação segue em plena evolução”, conta.

O executivo, porém, afirma que o cenário interno argentino ainda não representa todo o potencial do setor de tecnologia: “É um país com sede de crescer, mas aguardando o desenrolar das próximas eleições presidenciais. De qualquer maneira, continuamos apostando na Argentina”.

Em 2013, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva criou o plano Argentina Innovadora 2020, para estabelecer o que descreve como as “diretrizes para a política científica, tecnológica e de inovação no país” até o fim da década. O plano é dividido em seis frentes, das quais se destaca a energética, contemplando premissas como o aproveitamento da energia solar e o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias, equipamentos e materiais que otimizem as competências relativas à extração de petróleo e gás.

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